Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Hospital Psiquiátrico do Lorvão / “Unidade do Lorvão” : 50 anos de história ; Almoço comemorativo a 21 de Novembro

“(…) Os navios vistos de perto
São outra cousa e a mesma cousa,
Dão a mesma saudade
E a mesma ânsia de outra maneira (…)”

Fernando Pessoa, Ode Marítima

 

São (quase) cinquenta anos. Que fazem parte das nossas vidas, que representaram uma parte muito importante do que (quem) somos, que tantas vezes moldaram o quotidiano das nossas esperanças, dos nossos sonhos. Das nossas angústias, das nossas fragilidades, também.
Durante muitos anos subimos e descemos aquelas escadas alisadas pelos séculos. Inquietamente, participámos da vida daqueles Homens e Mulheres, partilhámos os seus desassossegos chorados, mágoas próprias de para quem pensar se tornou uma dor e são sempre escuras as cores do amanhã. Ao longo de cinco décadas, o Hospital Psiquiátrico do Lorvão prestou assistência às populações pobres de uma vasta área geográfica, gente simples que sabia da sua disponibilidade quando os cansaços afogavam a vontade, quando as mãos calejadas deixavam de cavar a esperança. Muitas vezes foi o refúgio, o momento necessário para respirar fundo, o desabafo terapêutico da calmaria de novos (re)equilíbrios capazes de afrontar as dificuldades. Com o esforço de todos nós. Com defeitos, seguramente. Sempre muito (auto)críticos, justamente. Mas, também certamente, com qualidades que a comparação com outros evidenciou.
Foi muitas vezes incompreendido, o Lorvão. E maltratado também, com a altivez vácua de quem não lhe respeitou o caminho, não lhe valorizou o esforço. Arrogância própria das conclusões breves, injusta soberba farisaica de quem não olha para si próprio, verniz estalado de propaganda inconsequente incapaz de se (auto)interpelar.
Como diz a belíssima canção sobre a vida e o seu fim de Vinicius de Moraes & Toquinho, esses anos foram “uma passarela/ de uma aguarela/ que um dia enfim/ descolorirá ”. Mas o empalidecer da Instituição não nos impedirá de celebrar cinquenta anos de história.

Em Novembro deste ano de 2009, cinquenta anos depois, vamos todos reencontrar-nos à volta de um motivo, tempo e lugar que nos são comuns. Contar estórias acerca dos passos que ali demos, das emoções que nos fizeram ser quem somos. Ao som da alegria da sanfona do Zé Melquíades, como nos bons tempos idos - porque das narrativas prévias se reinventa o futuro.
E dar um grande abraço a uma época irrepetível da nossa vida.

 

 ALMOÇO DIA 21 de Novembro 2009


Local : restaurante “Quinta Vale Pousado”. Fica situado na Aveleira (logo acima da vila do Lorvão, no caminho para Coimbra, pela “serra”) em frente às bombas de gasolina. É um restaurante muito grande, com um excelente serviço.

 

Ementa constituída de (várias) entradas, sopa, prato principal, sobremesa e café; vinhos, sumos, cervejas e águas incluídos.
Hora : 12,30 horas;
Preço por pessoa : 17 € ; crianças 4 – 10 anos : 8,50 €; crianças 0 – 4 anos : grátis;

Inscrição e pagamento :


Como compreende, necessitamos de antecipadamente saber o número exacto de participantes – a gestão do restaurante assim o exige. Pedimos-lhe que proceda à inscrição no mais curto prazo de tempo possível. Por favor, NOTE que a sua inscrição apenas estará confirmada após efectivação do pagamento. Para este efeito, proceda da seguinte forma :
 numa qualquer máquina MULTIBANCO, proceda à transferência da quantia respectiva (ver acima) para o seguinte NIB : 0018 0003 2189 2104 0204 2 . Para tal, como sabe, bastará seleccionar no menu a operação “transferência bancária”, digitando depois o NIB indicado e a quantia;
 em seguida, envie-nos o recibo fornecido pelo MULTIBANCO. Poderá fazê-lo por duas vias diferentes :
(1) – cole-o numa folha A4, escreva nesta o nome do(s) participante(s) – e idade, no caso de se tratar de crianças - e um nº de telefone de contacto. Envie por fax (numa estação dos Correios, por exemplo) para o seguinte nº : 239 835 347 . Receberá um telefonema nosso a confirmar a recepção do fax e a confirmar a sua inscrição;
(2) – digitalize o recibo do MULTIBANCO através de um scanner e envie-o, como anexo, para a seguinte direcção electrónica : cinquentaanoslorvao@gmail.com , indicando na sua mensagem os elementos de identificação acima citados. Receberá um e-mail confirmando a recepção e a sua inscrição.
Obviamente, também poderá proceder ao pagamento junto de qualquer um dos membros da organização.
No caso de ter alguma dúvida ou de necessitar de informação suplementar, pode, por favor contactar para qualquer um dos seguintes nºs de telefone :
919 703 770 ; 916 642 786 ; 964 626 061.


Com um GRANDE abraço, a ser dado em breve pessoalmente,


A organização,

 

Eurico Ferraz, Fernando Ferraz, António Ferreira, Jorge Ferreira, Paulo Figueiredo, José Gaudêncio, Celeste Laranjeira, Viriato Namora, António Pereira e Jorge Simões
 

 


 

Publicamos ainda um texto que recebemos, assinado por um dos elementos da organização:

 

Caros Amigos do "Penacova Online" :


Neste ano de 2009 completam-se 50 anos de história desde a criação da instituição psiquiátrica que como todos conhecemos como “o Lorvão” - independentemente da designação que os tempos lhe deram (Colónia Agrícola do Lorvão, Hospital Psiquiátrico do Lorvão e, mais recentemente, “Unidade do Lorvão”). Muitas pessoas trabalharam ali longos anos, procurando dar o melhor de si. As suas vidas ficaram indelevelmente marcadas por esses anos de crescimento pessoal e profissional, nos bons como nos maus momentos, nas alegrias como nas tristezas. O seu caminho individual intersecta-se com a trajectória da Instituição – e são precisamente os afectos decorrentes da riqueza destas vivências que presidem à iniciativa que agora apresentamos.
Como escrevemos no texto que enviamos em anexo, esses anos foram “uma passarela/ de uma aguarela/ que um dia enfim/ descolorirá ”, citando a belíssima canção sobre a vida e o seu fim de Vinicius de Moraes & Toquinho. Todos sabemos que as recentes mudanças no cenário assistencial da Saúde Mental implicaram um profundo impacto no estatuto e papel desempenhado pelo Lorvão. Mas o empalidecer da Instituição não nos impedirá de celebrar cinquenta anos de história – porque sabemos da importância que ela representou nas nossas vidas, porque, melhor do que ninguém, lhe sabemos dar valor. Porque temos memória.
Os jantares-convívio que juntavam os trabalhadores do HPLorvão constituiram, durante muitos anos, uma marca inconfundível de um “ambiente” humano muito especial que ali se vivia. Eram momentos divertidíssimos, com muitas estórias contadas, relações aprofundadas, danças desajeitadas, risos inesquecíveis – sempre ao som inconfundível da sanfona do Zé Melquíades.
É esse mesmo espírito que lhe propomos agora, a partir do significado que atribuímos a todas essas experiências que contribuiram notoriamente para moldar quem hoje somos. Como apresentamos no texto em anexo, realizar-se-á no próximo dia 21 de Novembro um grande almoço comemorativo dos 50 anos da Instituição. Sabemos que será o último, seguramente – por conhecidas razões. Exactamente por isso, a iniciativa pretende juntar todas as pessoas que passaram pelo Lorvão, que ali trabalharam ao longo destes últimos 50 anos, e que desse contacto guardam emoções e afectos. Vamos (re)encontrar-nos, contar estórias, rir, talvez comover-nos, sentir que temos um tempo e um lugar que nos são comuns. Possivelmente, fechar delicadamente o baú que encerra as memórias de uma época muito importante das nossas vidas.
Sabendo que o "Penacova Online" está sempre atento ao que sucede no concelho, e tendo em conta a importância que, durante muitos anos, o HPLorvão representou, envio em anexo o texto que introduz o evento comemorativo dos 50 anos do HPLorvão.
Mtos cumps, com desejos de muitos sucessos pessoais e profissionais,
Pela organização,
Paulo Figueiredo
(ex) Responsável pelo Serviço de Psicologia Clínica do HPLorvão


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Domingo, 13 de Julho de 2008

Requiem pelo Hospital do Lorvão


foto:http://www.hplorvao.min-saude.pt

 

Durante muitos anos subimos e descemos aquelas escadas cavadas pelos séculos. Calcorreámos-lhe os recantos, espreitámos-lhe os nichos escondidos, admirámos o criativo capricho dos azulejos. Ouvimos sussurrar os seus segredos naquela neblina feita de História que pairava nos longos corredores, nas esquinas gastas, nas abóbadas magníficas. Encantámo-nos com lendas improváveis de sorrisos de freiras e abadessas, seduzidos pelo silêncio desolado dos claustros. Experimentámos os sentidos, todos os dias de muitos anos. Inquietamente, participámos da vida daqueles Homens e Mulheres, partilhámos os seus desassossegos chorados, mágoas próprias de para quem pensar se tornou uma dor e são sempre escuras as cores do amanhã.


Ao longo de cinco décadas, o Hospital Psiquiátrico do Lorvão prestou assistência às populações pobres de uma vasta área geográfica. Ainda que com o estigma próprio das instituições psiquiátricas, as terras serranas da gente simples sabiam da sua disponibilidade quando os cansaços afogavam a vontade, quando as mãos calejadas deixavam de cavar a esperança. Muitas vezes foi o refúgio, o momento necessário para respirar fundo, o espaço terapêutico da calmaria de

novos (re)equilíbrios capazes de afrontar as dificuldades.


Foi muitas vezes incompreendido. E maltratado também, com a altivez vácua de quem não lhe respeitou o caminho, não lhe valorizou o esforço, não quis olhar como igual. Na arrogância própria das conclusões por atalhos breves, dos que apenas lhe viam os defeitos , farisaicamente sem olhar para si próprios, sobranceiramente sem olhar à volta.
Descendo as escadas pela última vez no contexto em que as pisámos durante 25 anos, olhámos lentamente para trás. Ternamente, com um respeito triste e humedecido, o belíssimo Porto Sentido percorreu-nos o sorriso mordido:

“ Ver-te assim abandonado / nesse timbre pardacento / nesse teu jeito fechado / de quem mói um sentimento/ de milhafre ferido na asa. “


. Paulo Henrique Figueiredo, (Ex) Responsável pelo Serviço de Psicologia Clínica do Hospital Psiquiátrico do Lorvão, in DIÁRIO AS BEIRAS de 11 de Julho

 

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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

Reestruturação do Hospital do Lorvão

As consultas externas do Hospital do Lorvão vão concentrar-se no Sobral Cid, revelou Fernando Almeida, , em entrevista ao Diário As Beiras, a 27 de Dezembro.

 

“A consulta externa do Hospital Psiquiátrico do Lorvão funcionava na Avenida Sá da Bandeira, em Coimbra, em instalações com poucas condições, e passará a ser feita no Sobral Cid. Numa primeira fase as consultas externas do Lorvão passam a estar concentradas no mesmo edifício onde são feitas as do Sobral Cid, mas ainda separadas sob o ponto de vista funcional e organizacional. Em Fevereiro, depois de informados os utentes, haverá a concentração plena, e as duas consultas externas, do Sobral Cid e do Lorvão, passarão a ser uma única.”, afirmou o presidente do conselho de administração Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, que resulta da fusão  dos hospitais psiquiátricos de Sobral Cid e do Lorvão e do Centro Psiquiátrico de Recuperação de Arnes. 

Afirmou ainda aquele responsável,  que “ os doentes crónicos, residentes, vão manter-se no Lorvão, com outro tipo de organização, eventualmente com intervenção de outras entidades.”

“ Neste momento está tudo em estudo.” - adiantou.

 

 

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