Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

O texto das entrevistas a António Catela e Pedro Coimbra, no Diário As Beiras

Tudo nas mãos de Maurício Marques
( Título da entrevista a António Catela, PSD)

 

António Catela é o presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Penacova. A ele cabe coordenar o processo de escolhas para as próximas autárquicas. A tarefa, porém, afigura-se particularmente difícil, quer pela vontade expressa de Maurício Marques de não se recandidatar quer pelas dificuldades de renovação, ao nível das freguesias .

 

Como avalia o mandato autárquico que agora chega ao fim?


Este mandato não pode dissociar-se dos anteriores, com o eng. Maurício à frente da câmara.
É um tempo que fica com a marca dele e da forma como gere. Basta ver a saúde financeira com que a câmara vive e que lhe permitiu, por exemplo, no final de 2008, captar fundos comunitários, para saneamento básico, que já pensávamos que iriam voltar para trás. Foram oito anos como vereador e 12 como presidente que já deixaram a sua marca, na câmara. É claro que, no início, teve de começar pelas infra–estruturas rodoviárias e abastecimento de água. Agora, nesta parte final, já se pôde dedicar a outras obras, de maior vulto, como as piscinas, a biblioteca municipal, com auditório, e o novo centro educativo, que também vai nascer na mesma zona. Desta forma, cria-se uma nova centralidade na vila, que também vai incluir o novo Palácio da Justiça. Naturalmente, todos estes edifícios incluem zonas de estacionamento subterrâneo, pois aqui o relevo é muito acidentado.

 

Fala-se muito na resistência de Maurício Marques a recandidatar- se...


A Concelhia do PSD está atenta a todas as situações que podem acontecer, inclusive a não continuação do eng. Maurício. Mas ele é o nosso candidato natural e nada o impede de fazer mais um mandato. O mesmo já não aconteceria daqui por quatro anos... Nós achamos que ele é o verdadeiro presidente de proximidade. Não deve haver outro igual, que se dedique 24 horas por dia e 365 dias por ano ao seu concelho, sempre com o telefone ligado e pronto a acorrer a qualquer solicitação, capaz de pegar numa chave e de apertar uma porca ou de desmontar um contador, tanto quanto de receber o Presidente da República.

 

Na actual equipa, até que ponto os problemas de saúde de Zita Henriques afectaram o trabalho do executivo?


É claro que, a partir do momento em que se agudizaram os seus problemas de saúde, que vieram a fazer com que abandonasse o cargo, teve de ser o eng. Maurício, à sua maneira, a tomar “conta do barco”. E, como se sabe, a área social, que ela tutelava, já vinha marcada pelo seu antecessor, no cargo, o prof. Simões, mas o facto é que, enquanto pôde, ela também deixou a sua marca bem vincada, nas escolas, na criação da biblioteca itinerante, no forte apoio aos idosos, aproximando-os das crianças, na forma como abriu a câmara municipal às IPSS.

 

 

Para além de Zita Henriques, também o vereador Pedro Carpinteiro está de saída...


Não confundamos os casos. A eng. Zita é por problemas de saúde, ao passo que o eng. Pedro Carpinteiro sai por questões de natureza pessoal e de outras atitudes perante a vida que ele tomou e que têm, até, a ver com o que já disse, a propósito da dificuldade em seduzir as pessoas para a política. Mas, como se sabe, cabe ao candidato a presidente escolher grande parte da equipa que quer levar consigo. E, se houvesse uma hecatombe e o eng. Maurício não quisesse continuar, é provável que fosse o novo candidato a escolher a sua equipa

 

Também haverá renovação, ao nível dos presidentes de junta?


Sim, até para evitar esse choque que a lei agora obriga, de toda a gente que está há mais de três mandatos ser obrigada a sair, em 2013. O PSD tem nove freguesias que lidera, através de pessoas que considerámos as melhores, algumas residentes e outras que lá trabalham ou estão ligadas às comissões de festas ou às colectividades. Mas temos de reconhecer que é cada vez mais difícil cativar as pessoas para o trabalho político. As exigências são cada vez maiores, por parte do povo, e o patamar deixado pelo eng. Maurício é muito alto.
Depois, há cada vez mais gente a rejeitar a política e os políticos. As duas freguesias onde não temos a maioria, Oliveira do Mondego e Sazes do Lorvão, a primeira do Partido Comunista e a segunda do PS, não vão ser fácil de reconquistar, embora em Sazes tenhamos mais hipóteses, se encontrarmos o melhor candidato.

 

Como avalia o trabalho da assembleia municipal?


Admito que, na assembleia, talvez não tenhamos o arcaboiço político que tem o PS. É que eles, com os problemas que surgiram aquando da candidatura do dr. Álvaro à câmara, acabaram por “empurrar” alguns “pesos- pesados” para a assembleia, gente com muitos anos de política, como Manuel Pereira, o eng. Pedro Artur, o eng. Simões, etc. Nós temos o presidente da assembleia, o eng. Luís Morgado, que liderou como quis e é um nosso valor seguro, que já esteve na câmara e pode voltar a estar. Agora, o que acho é que a assembleia pouco fiscaliza, até porque os assuntos já lá chegam todos aprovados e, na esmagadora maioria, por unanimidade.
Claro que isso obrigou o PS e particularmente o Pedro Artur, neste último ano, em que parece que despertou para o concelho, a ter de, muitas vezes, virar–se contra os vereadores do seu próprio partido. Aliás, não sei se foi por isso, mas a verdade é que eles passaram a fazer uma rotação que não percebo. Depois, também é preciso dizer que muitas das coisas que diz e muitas atitudes que toma revelam bem um manifesto desconhecimento do concelho.


Por Paulo Marques in Diário As Beiras, edição impressa de 11.02.2009


Câmara é cada vez mais um homem só

( Título da entrevista a Pedro Coimbra)

 

Pedro Coimbra, presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Penacova, desde Abril de 2006 e com o compromisso de preparar as autárquicas de 2009. Cauteloso, não adianta nomes, mas deixa uma convicção forte: o Partido Socialista quer ganhar as próximas eleições.

 

 

Qual é o seu compromisso político com o PS e com Penacova?


Ao candidatar-me a primeira vez, em 2006, para um mandato de dois anos, assumi o compromisso de que, caso a minha vida pessoal, profissional e política me permitisse, me recandidataria para perfazer um ciclo eleitoral completo. E, designadamente, para preparar as próximas eleições autárquicas... Agora, penso que temos condições únicas para crescer em número de juntas de freguesia (já temos os candidatos todos escolhidos e convidados, alguns já há tempo) e, sobretudo, para ganhar a câmara, com gente capaz, competente e com provas dadas.

 

 

Que balanço faz do trabalho do executivo, incluindo dos vereadores da oposição?


O PS tem feito uma oposição construtiva, mas combativa também, quer no executivo quer na assembleia municipal, com propostas concretas. Apresentámos, inclusive, em tempo útil, um documento ao presidente da câmara, com obras e de projectos que consideramos estratégicos para o desenvolvimento do concelho. A maioria deles até com possibilidade de serem candidatados ao QREN. Nalguns casos, a maioria PSD reconheceu o mérito, de tal forma que já está a candidatá-los, como aliás é sua obrigação – é o caso da biblioteca municipal. Mas não nos acompanhou no forte investimento na criação de emprego e na criação de zonas industriais. É que, repare, somos o único concelho em que não existe uma zona industrial. E porquê? Porque não conheço executivo tão pobre quanto este. Basta ver a dificuldade em encontrar um substituto à altura para a vereadora Zita Henriques. Por isso, o executivo é cada vez mais um homem só, o presidente da câmara, que cada vez concentra mais os poderes e que cada vez confia menos, mesmo em quem escolheu, vereadores, presidentes de junta e membros da assembleia.

 

Quais são as fragilidades visíveis do concelho?

 

Penacova tem um problema estrutural gravíssimo. Basta ver que, dos concelhos limítrofes à capital de distrito, Penacova é o que apresenta um índice de poder de compra mais baixo. Ou seja, é mais baixo do que Cantanhede, Montemor, Condeixa, Lousã, Miranda, Poiares e Mealhada, segundo os últimos dados do INE. Se se fizer a mesma análise, ao nível de todos os 17 concelhos do distrito, só Góis e Penela vêm atrás de Penacova. E pouco atrás. Mas é preciso ver que Góis e Penela têm condições geográficas, sociais e de acessibilidade que Penacova não tem. Para além disso, a Pampilhosa da Serra está à nossa frente. Ora, estes dados legitimam, desde já, fazer um balanço extremamente negativo deste executivo, cujo presidente, é bom lembrar, está há 20 anos na câmara.

 

O turismo tem sido apontado como solução...


Nós temos condições únicas e estamos completamente ao abandono. E para que se perceba a confusão, ao nível do turismo, basta ver as trapalhadas do presidente da câmara à volta do Hotel de Penacova. E com tudo isto, continuamos voltados de costas para o rio, para as nossas albufeiras e para as nossas potencialidades turísticas. Mas, sintomático é também a questão do saneamento. É claro que, nos últimos tempos, a situação melhorou, com algum investimento na área. Mas a verdade é que, comparado com outros municípios vizinhos, continuamos a ficar para trás, com um metro de saneamento per capita que é o mais baixo do distrito e um número reduzido de ETAR e de povoações com o problema tratado. É, aliás, um problema ambiental e de saúde pública, o facto de os nossos esgotos continuarem a correr a céu aberto. Outro dado sintomático foi um ranking nacional da qualidade de vida, elaborado pela Universidade da Beira Interior, em que Penacova aparece na cauda do distrito, no que respeita a indicadores de ordem social e económico.

O PS tem defendido a especialização de Penacova na área das tecnologias de ponta...
Nós não podemos viver sozinhos. Veja que temos, aqui ao lado, em Coimbra, um pólo de excepção, ao nível do ensino e da saúde. Ora Penacova devia aproveitar esta proximidade para desenvolver parcerias e criar estruturas que lhe permitissem criar, no concelho, um cluster na saúde, nomeadamente na área da biomedicina. Aliás, um bom exemplo é o Biocant, em Cantanhede. E eu pergunto: aquele planalto, a seguir à subida do Botão, junto ao IP3, não é um local de excepção, a um passo de todo o lado e de todas as acessibilidades, para a instalação deste pólo de desenvolvimento?

 

Por Paulo Marques in Diário As Beiras, edição impressa do dia 12.02.2009


 

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