Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Histórias duma vida :José Sousa

Através de um alerta Google, tomámos contacto com as crónicas deste penacovense que, nascido em Penacova,  por Angola andou  , publicadas no Blogue QUERIASERSELVAGEM:
 
 
 
O dia 28 de Novembro de 1953, o sol acabara de nascer.
Os melros, as cotovias, as rolas e os pardais chilreavam, ao mesmo tempo que se ouvia o rodar das rodas, das carroças puxadas pelas juntas de bois, no piso das ruas, construído de calhau trazido do leito do rio Alva.
Era dia de feira, na freguesia de São Pedro de Alva, uma Vila da comarca de Penacova.
Na pequena povoação do Beco, pertencente a esta freguesia, por volta das seis horas dessa manhã, acabara de nascer mais um filho a Sr.ª Maria Trindade. O marido, Antero M. Sousa, levantara-se de noite para ir à povoação da Ribeira chamar a sogra para ajudar no parto, e o filho ali nascera, na sua humilde casinha, com a ajuda da sua avó Encarnação, mulher de Joaquim de Oliveira, conhecido na freguesia, por Joaquim da Lapa, moleiro de profissão, residente no lugar da Ribeira.
Na aldeia a notícia corria de boca em boca:
“-Bom dia Aurora, já sabes da notícia? A Trindade já lá tem um rapazito…o pai lá queria e ele lá veio”.
Era o terceiro filho que lhe nascera, porém o primeiro rapaz. O segundo, uma rapariga, morrera com poucos meses, num trágico acidente por um descuido da mãe, mas mesmo tratando-se de um trágico e lamentável acidente, não é dele que vou falar, mas sim, um pouco da minha vida.
Aos nove meses comecei a dar os primeiros passos. Era uma criança cheia de vitalidade, corria para todos os lados, segundo dizem.
O meu pai até arranjou um banco na bicicleta para me levar com ele ao Domingo, a São Pedro de Alva. Todos admiravam o menino que caminhava ao lado do pai, com um ano e meio parecendo já um rapazito, apesar da tenra idade.
Porém, um dia, em Setembro, com apenas vinte e dois meses, fui apanhado por uma paralisia infantil, hoje, clinicamente conhecida por “poliomielite”, e nunca mais andei. Fiquei atrofiado dos músculos e raquítico.
Os anos foram passando e quase com oito anos fui para a escola. Nesta altura era transportado numa cadeira de rodas que me fora oferecida. Era uma cadeira, com rodas grandes, idênticas às de uma bicicleta, tanto à frente como atrás, bem à moda dos anos 50.
Era empurrado pela minha irmã Palmira, quatro anos mais velha, e pelos meus colegas. Brincava com os miúdos da minha idade arrastando-me com o rabo pelo chão. De tarde ficava sentado nos degraus de uma velha casinha, que ficava no largo da Republica.

Enquanto isso, os meus amigos brincavam ao pião, corriam atrás de um arco ou faziam moinhos de junco e barquitos de papel que colocavam na água, que corria em abundância, pelas bermas da estrada e nas valetas abertas ao longo do tempo, pelo passar das carroças de bois.
No dia 6 de Janeiro, estes e outros, já com idades compreendidas entre os 17 e os 20 anos, levavam-me com eles, a cantar e a tocar as Janeiras, de porta em porta. Lá vinham os donos da casa que, ao ouvir-nos cantar, davam-nos aqui uma broa, ali um chouriço, mais adiante uns ovos, umas cebolas e até o vinhito, e assim se ia enchendo o saco e a aldeia em alegria com o cantar das Janeiras. Ao fim da tarde desse mesmo dia, quando estávamos todos juntos na eira do povo, acendia-se uma fogueira punha-se uma sertã em cima de umas trempes e lá se fritavam os ovos com o chouriço e a cebola picada. Enquanto comíamos, tocavam e cantavam à volta da fogueira.
O meu pai emigrou para Angola quando eu tinha cinco anos, deixando em Portugal a minha mãe com quatro filhos. Para nos governar, andava todo o dia fora, a trabalhar na agricultura por conta de outrem.
Já no final de Dezembro de 1961, quando estava no início da segunda classe, (segundo ano), sai da escola e, nesse mesmo ano, abandonámos a aldeia que um dia me viu nascer.
Entrámos no comboio, em Coimbra, rumo a Lisboa. Para trás ficavam os meus amigos e a minha aldeia, perdida nas montanhas da Beira Litoral.
Ao chegarmos a Lisboa ficámos encantados com tudo o que víamos: os monumentos, as estátuas, os eléctricos os grandes barcos (paquetes) e a grande obra do governo de Salazar, a Ponte de Salazar.
Embarcámos num grande navio, “o Vera Cruz”, e lá seguimos, sobre as águas do Atlântico durante 10 dias, rumo a Angola.

 

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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

José... Brasileiro, Português de Penacova...

Os portugueses na diáspora

 

 José Dionisio Rodrigues é um dos muitos portugueses que no Brasil construiram uma carreira de sucesso. Natural de Travanca do Mondego-Penacova, partiu ainda muito jovem com a família. Muitas vezes passa pela sua terra natal, de onde guarda o " cheirinho a alecrim", conforme refere na entrevista/perfil publicada num órgao de comunicação daquele país, e que hoje publicamos. Ficamos a aguardar que nos cheguem ecos de outros penacovenses espalhados pelo mundo.

 


 

             Sucesso alcançado

José Dionísio Rodrigues, um dos fundadores da Opus Múltipla Comunicação Integrada, passou de jornalista a publicitário por acaso, após um convite de um amigo para montar uma assessoria de imprensa e mais tarde uma agência de propaganda. Português, ele chegou ao Brasil com apenas dez anos. A vinda da família foi resultado do sucesso conseguido em terras brasileiras. E este mesmo sucesso ainda faz parte da vida de José Dionísio.

Casado com Marília Helena e pai de Rodrigo, José Henrique e Camila, ele já ganhou inúmeros prêmios e acumula diversos cargos importantes, como ex-presidente do Sinapro (Sindicato das Agências de Propaganda do Estado do Paraná), presidente da Comissão de Elaboração do Livro História da Propaganda do Paraná e diretor financeiro do Sinapro, entre outros.

Confira a entrevista concedida à coluna:

O que o motiva?

José Dionísio Rodrigues - Um bom projeto, um desafio novo.

De todos os prêmios que já recebeu, qual mais valoriza?

É injusto com os outros prêmios, mas estes são especiais: Publicitário dos 30 anos (Prêmio Colunistas do Paraná) e o de Comunicador Solidário, oferecido pela PUCPR.

Como organiza seu tempo com tantas atividades?

Agenda, prioridades e 10 a 12 horas de trabalho por dia. Trabalhar não dói, quando a gente faz o que gosta.

Uma campanha bem sucedida tem que ter... Pertinência e relevância, além de talento.

Quem é seu sonho de consumo como cliente?

Já temos vários clientes “sonho de consumo”. O cliente ideal é aquele que confia em nosso trabalho e nos estimula na criação de boas idéias. O que você está lendo agora? A Sabedoria dos Monges na Arte de Liderar Pessoas, Anselm Grun.

Sua maior extravagância?

Beber bons vinhos.

Prato preferido... Bacalhau a lagareiro.

Um lugar em Curitiba:  Minha casa.

Qual é sua idéia de felicidade perfeita?

Equilíbrio dos “eus”.

Um lugar especial...

Vermont, nos EUA, na primeira semana de outubro, e Provence (França), final de maio e início de junho, época da colheita das cerejas.

Se o mundo acabasse amanhã, o que você faria hoje?

Reuniria os meus filhos e minha esposa, agradeceria pelo amor que me dão, pediria perdão a Deus e morreria em paz.

Motivo de orgulho... Minha família.

O que o faz relaxar?

Ouvir boa música: Tchaikovsky, Mendelssohn, Pachelbel, Handel, Vivaldi, Verdi, Bizet, Bach, Beethoven, Amália Rodrigues, Madredeus, Frank Sinatra, Lorena McKennitt, Bossa Nova, Jazz.

Onde pára quando está com o controle remoto da televisão?

Jogo do Corinthians, viagens, gastronomia, golfe e bons filmes.

Sua figura favorita...

 Alexandre Rodrigues, meu pai; minha mãe, Maria da Assunção e Marília, minha esposa, amor e devoção à família.

Um esporte... Golfe.

Um aroma da infância... Alecrim.

in  GAZETA DO POVO –

 

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