Domingo, 5 de Agosto de 2007

Mosteiro de Lorvão

Dar “relevância nacional” ao Mosteiro do Lorvão
 
Único pela história e peças que ainda guarda, o Mosteiro de Lorvão precisa de mais atenção das autoridades. “É necessário dar ao mosteiro relevância regional e nacional”, afirma o presidente da Junta de Freguesia, ao defender a sua integração em circuitos turísticos.

Segunda-feira, alguns minutos depois das 11H00. No jardim junto ao Mosteiro do Lorvão, no centro da vila, o som da água corrente da ribeira e as sombras impõem a sua frescura, apesar do sol e dos trinta e muitos graus de temperatura. Afinal, segunda-feira é o dia em que o mosteiro está fechado às visitas. Mas após algumas diligências as portas abrem-se e o guia, José Pisco, inicia a visita ao imponente monumento, que enriquece ao acrescentar à descrição de cada peça todas as informações do contexto histórico. E, logo em seguida, acaba por guiar numa visita um pequeno grupo que, encontrando a porta aberta, não resistiu a entrar para visitar um monumento que alberga algumas peças únicas em Portugal e é apresentado como um dos mais antigos mosteiros da Europa.
Não há dados que indiquem com rigor a data da fundação do Mosteiro do Lorvão, mas admite-se que remonta ao século VI, a aceitar como testemunho a pedra de ornato visigótico que se encontra na torre dos sinos e cujo desenho pode ser apreciado no museu, na Sala do Capítulo.
Ao longo dos séculos o mosteiro sofreu sucessivas reformas, explica José Pisco, enquanto apresenta a magnífica igreja, uma construção feita entre 1748 e 1761, de proporções clássicas e monumentais.

Restauro avançou

Hoje, após uma intervenção do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), recentemente concluída, estão restaurados os retábulos e a talha dourada dos altares - que tornam a igreja mais luminosa -, bem como grande parte das imagens, que se encontravam muito degradadas, fruto do quase abandono a que haviam sido votadas durante séculos.
O presidente da Junta de Freguesia do Lorvão, Mauro Carpinteiro, não deixa de elogiar a intervenção desenvolvida pelo IPAAR, que para além do restauro de algumas peças incluiu o arranjo da cobertura, para evitar infiltrações de água ou humidade, e a limpeza da pedra.
No altar da capela-mor José Pisco chama a atenção para os dois anjos acabados de regressar ao seu lugar, após o restauro, realçando também os dois túmulos de prata, onde estão os restos mortais de Santa Teresa e Santa Sancha, feitos em 1715 pelo ourives portuense Manuel Carneiro da Silva.

Depois do casamento de D. Teresa com Afonso IX de Leão ser declarado inválido, por serem primos direitos, a rainha regressa a Portugal e recolhe-se no convento de Lorvão, onde permanece até morrer. Assim, é a Santa Teresa, que viveu no mosteiro entre 1205 e 1250, que se deve parte da história que o monumento encerra. Pelo que não se estranha que ao longo da visita José Pisco refira por diversas vezes o nome da rainha protectora do convento, bem como o de sua irmã, D. Sancha, que acabou por fundar o Mosteiro de Celas, em Coimbra.
O mosteiro sofre justamente uma profunda reforma em 1205, desenvolvida por D. Teresa e D. Sancha, filhas de D. Sancho I, que vêm a ser beatificadas em 1705, pelo Papa Clemente XI. Entre outras reformas, pela mão de D. Teresa o mosteiro deixa de ser beneditino para se transformar na primeira comunidade feminina da Ordem de Cister em Portugal, com mais de trezentas monjas.

À espera do órgão

Os olhos fixam-se depois no fundo da igreja, nas estruturas que a separam do coro: uma belíssima grade de ferro com aplicações de bronze, única no seu género em Portugal, por trás da qual, em tempos idos, uma cortina isolava as freiras em clausura dos olhares alheios de quem assistia à missa na igreja.
Sobre esta grade ergue-se o órgão de duas fachadas, único em Portugal, uma obra de António Xavier Machado Cerveira, de 1795. Ou melhor, deveria erguer-se. Por enquanto, apenas se continuam a observar as duas fachadas, compostas em delicado rococó e feitas na oficina de Machado de Castro, lamenta José Pisco, ao lembrar o imbróglio que rodeia o restauro do imponente órgão que se arrasta há cerca de 15 anos, envolvendo um litígio entre o organeiro e o Estado.
Recentemente, recorda Mauro Carpinteiro, o delegado Regional da Cultura do Centro admitiu, durante uma iniciativa que decorreu no mosteiro, que o restauro do órgão de tubos iria avançar e que poderia estar concluído em 2009. Mas esta promessa implica que “o concurso para concluir o restauro do órgão seja lançado rapidamente”, alerta o presidente da junta.
Por agora, parte das peças do órgão continuam ao fundo do coro. Estão encostadas no canto do cadeiral do coro - o maior do país e também único no seu género, distinguindo-se pelos seus delicados ornatos -, que ficou vazio depois de terem ardido 11 cadeiras num incêndio que ali deflagrou há alguns anos.
O cadeiral foi construído em madeira de jacarandá preto do Brasil e em nogueira, que contribuem em grande parte para acentuar a sua beleza. Em tempos, recorda José Pisco, tentou-se restaurar a parte ardida do cadeiral, mas não resultou. “Concluiu-se que não era possível copiar o engenho do século XVIII”, afirma o guia, que é licenciado em História e estudou História de Arte e é natural de Lorvão.

Maior atenção ao monumento

Ponto de passagem obrigatório, pela sua história e magnificência, o Mosteiro de Lorvão continua a necessitar de maior atenção por parte das autoridades. Mauro Carpinteiro não tem dúvidas: “é necessário dar ao mosteiro uma maior relevância regional e nacional”, pelo menos na vertente da divulgação. “Se calhar a maioria das pessoas de Coimbra continuam a não conhecer o Mosteiro do Lorvão”, exemplifica.
A integração do mosteiro em circuitos turísticos de âmbito regional - que incluam, por exemplo, o castelo de Montemor-o-Velho (do qual também foi senhora D. Teresa) ou de Penela ou o Buçaco - é uma das ideias acarinhadas pelo presidente da Junta de Freguesia do Lorvão. “Se conseguirmos atrair mais visitantes contribuímos também para o desenvolvimento da freguesia”, frisa Mauro Carpinteiro.

Dora Loureiro
http://www.asbeiras.pt/index2.php?area=coimbra&numero=47218&ed=03082007
 NOTA:  vrja fotografias sobre Lorvão: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=390708&page=1&pp=20%20-%20103k
 
posted by penacovaonline às 09:14
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