Domingo, 14 de Junho de 2009

Crónica de Domingo

Ensaio sobre a Lucidez

 

É preocupante.


Cada vez que o povo é chamado às urnas e sempre que os níveis de abstenção são elevados, vem-nos à memória o livro de Saramago “ Ensaio sobre a Lucidez”. Abster-se, não votar pura e simplesmente, talvez não seja o mesmo que votar em branco. Mas, não deixa de ser também um voto de protesto. Protesto perante uma política que para a maioria das pessoas já não diz nada. Descrédito na democracia representativa e nos actos eleitorais, fruto não só da falta de cultura cívica, mas principalmente dos  maus exemplos de muitos políticos e  dos escândalos gerados por máquinas perversas de  poderes e interesses ocultos.


No livro de Saramago, as coisas passam-se “num país indeterminado onde decorre, com toda a normalidade, um processo eleitoral. No final do dia, contados os votos, verifica-se que na capital cerca de 70% dos eleitores votaram branco. Repetidas as eleições no domingo seguinte, o número de votos brancos ultrapassa os 80%.Receoso e desconfiado, o governo, em vez de se interrogar sobre os motivos que terão os eleitores para votar branco, decide desencadear uma vasta operação policial para descobrir qual o foco infeccioso que está a minar a sua base política e eliminá-lo. E é assim que se desencadeia um processo de ruptura violenta entre o poder político e o povo, cujos interesses aquele deve supostamente servir e não afrontar. “


Para Saramago, um dos piores cenários com que qualquer sistema que se diz democrático pode ser confrontado, seria a rejeição total de todas as propostas eleitorais. A cegueira do “povo” dando lugar a uma inesperada lucidez? Quem sabe se as metáforas da literatura não se tornam, um dia, reais…


Se em cada dez eleitores, só quatro, ou por vezes menos, decidem votar…algo se passa nas sociedades ditas democráticas. No nosso caso recente não podemos interpretar o facto, dizendo que “ isso” da Europa pouco diz ao comum cidadão. Depois de trinta e cinco anos de democracia, Portugal já deveria ter outro sentido cívico e crítico: não ficar em casa e, se assim o entendesse, ter a coragem de ir mesmo votar em branco.
A abstenção, com estas percentagens, é preocupante. E Penacova ultrapassou a média nacional...

 

David Almeida,

Licenciado em Filosofia

 

 

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